É então que tu páras, respiras fundo e olhas em frente. Percebes que finalmente a mágoa passou e que vales muito mais que dúzia e meia de lágrimas derramadas. Olhas à tua volta e vês que aqueles pacóvios amorosos e indispensáveis estiveram sempre lá e, se calhar, mereciam um pouco mais de ti.
É então que lhes agradeces por tudo e te apercebes que eles valem muito mais que quem te fez derramar dúzia e meia de lágrimas. Encontras no sorriso deles a força para ultrapassar a dor, nos abraços o calor que revolve o estômago e te situa nesta selva.
É então que percebes que não estás nem nunca estiveste sozinho, que tiveste sempre as pessoas ideais do teu lado e que apenas estavas distraído com outras que pensavas possuírem esse valor. "Que burro!", pensas. Não, não foste burro, não há burrice em ser-se amigo, não há burrice em dar uma mão. A burrice existe em quem te bate a porta ou te vira as costas.
É então que percebes que fizeste aquilo que achaste melhor e que não te arrependes, mesmo tendo sido magoado. Apercebes-te que fizeste o que podias, quem sabe até mais, mas que mesmo assim, na verdade não foi suficiente, porque te viraram as costas. "Por que é que não foi suficiente?", perguntas-te a ti próprio. Foi suficiente, foi mais do que suficiente. O que acontece é que existe gente neste mundo que não é capaz de reconhecer o valor dos verdadeiros amigos que têm e, por isso, viram-lhes as costas.
É então que te sentes bem contigo próprio, te orgulhas de quem és e sorris para a vida, porque sabes que, de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde, quem te fez derramar dúzia e meia de lágrimas há-de derramar o dobro quando abrir os olhos e não te vir lá. As lágrimas podem não se ver, a tal pessoa pode até nem o dizer em voz alta, mas elas vão cair...
